bombardeio e captura
Ex-militar critica ação contra a Venezuela e aponta violação do direito
Earl Rasmussen avalia que captura de Nicolás Maduro prejudica a imagem dos EUA
A operação militar realizada pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, tem gerado críticas de analistas e autoridades internacionais. Em entrevista à Sputnik Brasil, o tenente-coronel aposentado do Exército norte-americano Earl Rasmussen afirmou que a ação representa um desrespeito às normas do direito internacional e compromete a credibilidade de Washington no cenário global.
Segundo Rasmussen, os acontecimentos envolvendo o bombardeio e a captura de um chefe de Estado soberano são “profundamente perturbadores” e demonstram um flagrante desrespeito não apenas ao direito internacional, mas também a princípios constitucionais. Para o ex-militar, a condução da operação tende a afetar negativamente a imagem dos Estados Unidos perante a comunidade internacional.
“A agressão aberta dos Estados Unidos e o completo desrespeito ao Estado de Direito claramente prejudicam nossa imagem internacional e minam nossa credibilidade”, declarou Rasmussen à agência. O observador militar também manifestou preocupação com os possíveis desdobramentos do episódio, afirmando que a intervenção pode levar a consequências semelhantes às enfrentadas pelos EUA em outros países onde houve tentativas de mudança de regime. Na avaliação dele, no caso venezuelano, os impactos podem ser ainda mais graves.
Rasmussen alertou que o futuro da Venezuela estaria ameaçado diante do atual cenário e que a situação pode evoluir para um conflito interno prolongado. “Existe o risco real de uma guerra civil que pode durar décadas”, afirmou.
A ação militar ocorreu em 3 de janeiro, quando forças dos Estados Unidos realizaram um ataque em território venezuelano e capturaram Maduro e Cilia Flores, que foram levados para Nova York. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que o casal será julgado por suposto envolvimento em “narcoterrorismo” e por representar uma ameaça à segurança, inclusive dos próprios Estados Unidos.
A operação também provocou reações no âmbito diplomático internacional. O representante permanente da Rússia junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzya, classificou o sequestro do presidente venezuelano como um ato de banditismo. Em declaração feita na segunda-feira (5), Nebenzya afirmou que não há qualquer justificativa para o que chamou de crime cometido de forma cínica pelos Estados Unidos em Caracas.



